Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014

Presidente em entrevista ao Jornal do Algarve

 

Divulgamos neste post as perguntas e respostas da entrevista do Jornal do Algarve ao presidente Victor Santos Correia, publicada na edição de 13-fev-2014:

 

 

1 - A JDM acaba de celebrar o seu 50.º aniversário (Novembro de 2013). Qual o balanço destes anos e como está o clube de “saúde”?

Apesar do contexto de crise económica que se tem vivido desde 2008 e que coincide com o período em que tenho sido dirigente e que antecedeu o cinquentenário, creio que podemos olhar para trás e afirmar que foi uma caminhada importante para a vida da colectividade, marcada pela resistência e recuperação.

Actualmente não temos dívidas de curto prazo e temos vindo a amortizar o passivo acumulado ou a estabelecer acordos com vista á sua regularização. Hoje se recebêssemos todos os valores que temos a crédito conseguiríamos liquidar todos os débitos e ainda criar ‘pé-de-meia’ para a gestão quotidiana.

Ao longo destes cinco anos promovemos várias acções de beneficiação e valorização de espaços do clube e ao serviço deste, adquirimos equipamentos e material desportivo. Aumentámos, diversificámos e valorizámos a oferta desportiva.

Tem sido uma caminhada difícil, mas também estimulante. É gratificante concluir que houve uma boa evolução e que o JDM hoje está melhor do que o encontrámos. Gostava, no entanto, de reafirmar aquilo que já temos dito noutras ocasiões: não apontamos o dedo ao passado mais recente ou mais distante do clube; não seria sensato avaliar decisões tomadas no passado retirando-as do contexto em que foram decididas. Cremos que cada dirigente tomou as decisões que achou mais apropriadas para o momento em que estavam em funções.

 

2 - Há quantos anos está na liderança do clube? Podia-nos falar um pouco sobre isso?

Em Agosto de 2007 integrei a V.ª Comissão Administrativa e no mês seguinte, como secretário, a Direcção que se lhe seguiu, a qual não completou o mandato, em virtude da demissão do presidente, uma vez que os Estatutos existentes na altura determinavam a queda do órgão por ocasião da renúncia do presidente. Em Setembro de 2008, fui nomeado presidente da VI.ª Comissão Administrativa, que esteve em funções durante um mês, findo o qual era eleito presidente do clube.

Fui recandidato, eleito e empossado, nos dois mandatos subsequentes: em 2010 e em 2012. Actualmente dirijo a XXVIII.ª Direcção, cujo mandato termina em Junho do corrente ano.

A minha função de dirigente tem sido exercida num período complicado. Não podemos descurar que se vive um contexto de crise, desde 2008, onde os recursos são parcos, em especial num território periférico, onde o tecido empresarial é muito ténue e vulnerável. Não obstante, o diagnóstico que fizemos quando iniciámos funções e a estratégia que desenhámos para o futuro, permitiu-nos vir regularizando a dívida acumulada, e, paralelamente aumentando o número de pessoas envolvidas no clube e valorizando a oferta desportiva. Modéstia à parte, temos consciência que, apesar das inúmeras dificuldades, temos o sentimento de dever cumprido. Desenhado todo o quadro que encontrámos e que temos vivido, é um acto de coragem fazer existir, resistir e persistir o JDM.

 

3 - Quantos sócios tem actualmente a JDM?

Em 2009, implementámos o Plano Estratégico 2009-2013, o qual preconizava, entre outros objectivos, a refiliação e renumeração de associados, a criação de novo cartão de sócio e de novos métodos de cobrança da quotização. Actualmente, temos 648 associados, em que cerca de 10% são do género feminino e 41% têm menos de 30 anos. Todos os elementos directamente ligados à nossa dinâmica são sócios do JDM.

 

4 - Quais são as infraestruturas que o clube tem?

A sede-social é um espaço arrendado desde década de 60 do século passado. O clube tinha poucos anos de existência e estava instalado num espaço exíguo. Por volta do ano 1965 ou 1966 o senhor António Albano Lopes encontrava-se a construir um edifício com uns armazéns e dois apartamentos no qual, aquando da construção, promoveu alterações unindo aquelas fracções e adaptando-as para instalar a sede-social do clube. Por seu turno, o Parque Desportivo do JDM (que integra um campo sintético e um edifício de apoio) foi doado pelo senhor António Vaz de Mascarenhas ao Monchiquense, na década de 70. Sem prejuízo dessa entrega ser do senso comum, nunca foi formalizada a escritura pública.

Há quase 10 anos, o Município no intuito de construir o Centro Escolar de São Pedro e de beneficiar os arruamentos Rua de Nossa Senhora da Conceição e Estrada de Sabóia, adquiriu à família Mascarenhas um prédio enorme que integrava também o Parque Desportivo do JDM, assim como umas parcelas cedidas à 1.ª Companhia de Monchique da Associação Guias de Portugal e ao Agrupamento 383 (Monchique) do Corpo Nacional de Escutas, para construírem as suas sedes-sociais. Foi assinado um contrato-promessa daquele terreno, tendo as três associações autorizado o negócio, com a prerrogativa do Município fazer os destaques e formalizar a entrega das parcelas aos respectivos proprietários, conforme doações anteriores e vontade expressa do senhor António Mascarenhas e, posteriormente, sublinhado pelos seus filhos. Até ao presente momento aguardamos a formalização dessa transferência.

 

5 - Que actividades oferece a JDM à população?

O JDM foi a mãe e a madrinha de praticamente todas as manifestações desportivas que foram surgindo no concelho. Algumas delas ganharam notoriedade e corpo, tendo-se emancipado e constituído como organismo associativo, como é o caso do desporto motorizado ou do karaté. Outras são hoje detidas por outras colectividades. Falo, por exemplo da ginástica ritmíca ou do atletismo.

Actualmente o clube mantém as seguintes secções a funcionar permanentemente: o futebol (a modalidade introduzida e mantida desde a fundação), o futsal e o programa “Desporto para Todos”. No futsal temos uma equipa sénior que nos representa no campeonato distrital da Fundação Inatel. Em futebol temos uma equipa sénior no campeonato distrital da 1.ª Divisão, da Associação de Futebol do Algarve, bem como Iniciados, no campeonato de 2.ª Divisão (zona Barlavento), ambas em futebol 11. No futebol 7 temos duas equipas a participar em campeonatos oficiais, ao nível regional, a saber: Infantis (sub-13) e benjamins (sub-11). Está igualmente em funcionamento o projecto “Iniciação ao Futebol”, integrando petizes (sub-7) e traquinas (sub-9), o qual já se encontra na 4.ª edição. Desde há quatro anos a esta parte temos também a funcionar a Secção de Veteranos em futebol 11.

Também com funcionamento regular temos o programa “Desporto para Todos”, que agrega os projectos “Dance Kids” e o “Fitness Class”.

Para além das actividades de carácter permanente, são desenvolvidas anualmente acções pontuais, como é o caso do Passeio Anual de Cicloturismo da Liberdade, do Troféu José Carlos Duarte (encontro desportivo de futebol de Petizes e Traquinas), do Troféu Carlos Perpétuo (torneio de futebol 7), da Taça Serra de Monchique (torneio quadrangular de futebol 11), e conferências.

Também merece registo dois eventos que desde há três anos não nos escusamos de levar a cabo: a comemoração do aniversário do clube, bem como a festa de encerramento da época desportiva, onde reunimos toda a comunidade associativa.

 

6 - Quantos praticantes?

Temos duas centenas de pessoas, de ambos os géneros, envolvidos directamente, como praticantes, na dinâmica de carácter permanente. No desporto federado os praticantes ultrapassam uma centena.

Noutras iniciativas de âmbito periódico ou ocasional envolvemos ainda um número considerável. Exemplo disso é o passeio anual “Cicloturismo da Liberdade”, realizado no dia 25-Abr, em que, nos últimos cinco anos nunca tivemos menos de 175 participantes.

 

7 - Pelo que sabemos, o programa “Iniciação ao Futebol”, lançado em 2011 tem sido um sucesso. É uma aposta ganha?

Era nossa intenção, desde início, apostar na formação e desenvolvimento na modalidade que o clube sempre promovera, o futebol. A afectação de técnicos habilitados nos escalões de benjamins a juniores, foi um passo importante que concretizámos. Entendemos que o projecto seria consolidado se fizéssemos um diagnóstico e se promovesse o desenvolvimento de competências mais cedo.

Em 2011 avançámos com o projecto Iniciação ao Futebol, abrindo portas a petizes (sub-7) e a traquinas (sub-9). Nesse mesmo ano, realizamos um encontro desportivo e estamos em condições para afirmar que foi um sucesso e que superou todas as expectativas criadas. Gostaria, no entanto de referenciar que, paralelamente ao êxito obtido e ao benefício directo para o clube, decorrente do aumento do número e da qualidade dos participantes, também mais precocemente temos ficado vulneráveis aos “caça-talentos”.

Se me permite, quero aqui lamentar que alguns clubes, ditos grandes, se mostrem tão pequenos na atitude e abordagem que têm feito a atletas do Monchiquense. Denuncio e repudio que agentes desses clubes falem e aliciem directamente as crianças e que, posteriormente, depois de as terem conquistado, dêem uma estocada final e irreversível aos pais, e, lamentavelmente, sem que em nenhum momento tivessem contactado o clube. Importa referir que a saída de um atleta num clube instalado num território periférico pode pôr em causa a manutenção de uma equipa e a prática desportiva de todas as crianças ou jovens desse escalão. Defendo o estabelecimento de parcerias entre clubes e o respeito mútuo, mas não posso, de todo, aceitar aquela atitude.

 

8 - Quais os grandes desafios da JDM para os próximos anos? Além da aposta nas camadas jovens de formação, que outros projectos existem para futuro?

Estamos a cinco meses do termo do mandato. Em Junho serão eleitos os novos órgãos sociais para o próximo biénio. Em cada novo mandato surge um novo ciclo na vida das instituições. Todavia, entendemos que não será sensato, nem viável, alterar o rumo que foi traçado. Há uma evidente aposta na oferta desportiva a públicos não abrangidos, na valorização da modalidade futebol e na consolidação de uma parceria com a comunidade, no âmbito da formação e desenvolvimento e da ocupação salutar dos tempos livres das nossas crianças e jovens.

Estamos a realizar o diagnóstico da situação existente, com vista à elaboração do Plano Estratégico JDM-2020. Estamos empenhados em definir que JDM queremos ter em 2020 e qual o percurso a traçar para lá chegar. Os próximos planos de actividades deverão vir elencar a este documento estratégico.

Sem prejuízo daquilo que o Plano Estratégico irá apontar, creio que de entre os grandes desafios do JDM para os próximos anos, destacar-se-ão, inevitavelmente, a aceitação da propriedade do Parque Desportivo e a consequente melhoria das condições físicas do espaço, quer para atletas e demais utilizadores, quer para o público em geral, numa óptica de também rentabilizar o espaço, a fim de nos auxiliar perante o quadro de despesas que aquele equipamento nos acarreta, nomeadamente ao nível da energia, do funcionamento, da manutenção e da conservação. Há obras que se impõem naquele espaço – muitas delas poderão ser soluções baratas –, quer ao nível das instalações de apoio, bancada e até mesmo da futura sede-social.

 

9 - Qual é o papel de um clube como a JDM que está inserido num concelho que sofre o drama da desertificação?

O JDM completou recentemente 50 anos de existência, assumindo-se como a colectividade de âmbito desportivo mais antiga do concelho. Temos quase 650 sócios, num concelho com menos de 6.000 habitantes. Envolvemos nas nossas actividades uma percentagem considerável das crianças e jovens residentes. Temos mais de duas centenas de pessoas envolvidas diariamente na nossa dinâmica. Perante isto, creio que o papel do JDM é muito importante.

Entendo que a estratégia que a administração central tem vindo a demonstrar ter para o interior e para os territórios de baixa densidade – nomeadamente com o
encerramento de serviços e com a introdução de normas impeditivas de construção, de desenvolvimento e de crescimento económico –, vem naturalmente agravar a situação existente, aumentar o despovoamento e a complicar a resistência e a persistência daqueles que ali se encontram estabelecidos. A prossecução dos nossos objectivos e actividades é, por isso, cada vez mais difícil e que só tem alcançado sucesso por força do envolvimento desinteressado de muitas pessoas que não querem deixar morrer uma colectividade nem testemunhar o envelhecimento e a inércia da sua terra.

 

10 - A JDM tem conseguido atrair as crianças e jovens do concelho para a prática desportiva? (disse-me numa anterior conversa que cerca de 10 por cento dos adolescentes do município jogavam na JDM. Essa percentagem aumentou?

Creio que, com a criação dos projectos Dance Kids e Dance Small Kids, esse número terá crescido substancialmente. O projecto JDM Dance Kidsconsiste na criação de um espaço para aprendizagem de estilos de dança e prática de exercício físico, onde as crianças participantes poderão experimentar e aprender diversos estilos de dança, além de poderem desfrutar de uma diversidade de experiências motoras, bem como fazer exercício físico.

Pela primeira vez, a população escolar concelhia está situada neste ano lectivo abaixo das cinco centenas. O JDM envolve, nesta época desportiva, mais de uma centena de crianças e jovens. Sendo que o público em causa é o mesmo, creio que o JDM envolve actualmente uma faixa considerável da população jovem, razão pela qual se assume como um parceiro importante da escola, da administração local e, claro está, das famílias. Os nossos técnicos e directores de cada projecto ou equipa estabelecem uma relação estreita com aquelas crianças e jovens, quadro que permite também um acompanhamento da sua situação escolar e do comportamento, quadro que tem contribuído para a valorização e desenvolvimento pessoal de cada um dos intervenientes. A nossa intervenção, tal como preconizado no plano estratégico que definíramos, constituiu-se como um complemento formativo.

 

11 - E os mais “velhos”? Também estão a aderir às actividades do “Desporto para Todos”?

Actualmente, temos dois focos que visam criar respostas para públicos com idade adulta. A Secção de Veteranos em futebol 11 tem cerca de três dezenas de participantes e no projecto Fitness Class, integrado no programa Desporto para Todos, envolvemos quase 40 participantes, todas do género feminino e com idade adulta. A criação do projecto Dance Kids e posteriormente do Dance Small Kids, veio cingir o Fitness Class às participantes com idade adulta.

Importa salientar que noutras acções de carácter periódico ou eventual também acolhemos sempre população adulta ou de escalão etário superior, nomeadamente no passeio de cicloturismo ou nas caminhadas ou passeios pedestres.

Todavia, é na Secção de Veteranos em futebol 11 e no projecto Fitness Class – que consiste na criação de um espaço para a prática de exercício físico, contemplando step, localizada, aeróbica e aulas outdoors – que nos orgulhamos de ter encontrado respostas para adultos, ou seja públicos não abrangidos pela oferta desportiva ou de exercício físico que existia.

 

12 - Em termos de resultados desportivos, quais os que merecem maior destaque?

Entendo que os resultados desportivos não se esgotam á pontuação obtida no final de cada jogo e subsequentemente à posição que se ocupa na tabela classificativa. Creio que manter e valorizar quotidianamente uma oferta desportiva a quase duas centenas de participantes, num território periférico e fortemente marcado pela interioridade, já traduz um resultado, também ao nível desportivo, de relevante importância.

Aproveito o ensejo para, no que concerne à equipa que temos no campeonato distrital de 1.ª divisão, em futebol 11, no escalão de seniores – a principal presença do clube na modalidade –, tem tido inúmeras dificuldades que passam desde logo pelo arranque tardio do projecto, pois em meados de Agosto ainda não tínhamos a confirmação do contrato de desenvolvimento desportivo, o qual era determinante para a prossecução da equipa. Lembro também que temos cada vez menos população e, naturalmente, menos jogadores residentes no concelho. Das duas épocas anteriores mantemos meia dúzia de jogadores; a equipa técnica é nova; a equipa médica é nova; temos mais dois juniores integrados no projecto; uma equipa muito jovem cuja média de idades não é mais baixa porque temos dois jogadores com mais de 30 anos. Por outro lado, gostava de sublinhar que no Monchiquense contamos com uma entrega desinteressada e abnegada dos jogadores ao projecto, caso que será único na região.

No que concerne à equipa que detém melhor posição na classificativa, saliento que os nossos Iniciados (sub-15), também em futebol 11, estão a fazer uma óptima campanha, encontrando-se em segundo lugar, estando em condições de disputar a pool e alavancar uma subida à primeira divisão distrital, facto que seria meritoso para aqueles jovens e técnicos que têm tido um trabalho profícuo. Gostava de sublinhar que aquela equipa é o resultado do investimento e da aposta que foi feita nos escalões jovens no JDM. Estes iniciados são os “escolinhas” que a minha primeira direcção apostou na época desportiva 2008-2009, pelo que os seus feitos hoje nos deixam muito orgulhosos.

 

13 - Que tipos de apoio o clube recebe?

A quotização, os resultados de eventos, os patrocínios, donativos, subsídios da administração local e os contratos-programa de desenvolvimento desportivo, têm sido os apoios pecuniários conseguidos ao longo dos últimos anos. Porém, importa sublinhar que a dinâmica associativa só tem conseguido ser alcançada por força de outros apoios imensuráveis e determinantes, decorrentes da diligente entrega de técnicos e jogadores que, abnegadamente, valorizam a nossa actividade.

Aproveito para agradecer publicamente essa sua atitude e demonstrar, como sócio e como monchiquense, a minha gratidão, naturalmente partilhada com os meus colegas dirigentes – que também se envolvem diligente e desinteressadamente na vida do clube –, enfatizando que o movimento associativo é uma manifestação da comunidade que decorre da conjugação de vontades e que atribui vida e valor aos territórios e às comunidades.

 

14 - É difícil ser-se dirigente associativo?

Na minha opinião, a função de dirigente associativo é tão fácil ou tão difícil como qualquer outra, desde que seja levada a sério. Não podemos descurar que tem implícita, à partida, uma certa carolice, contudo, uma vez no exercício de funções, é exigido que esteja habilitado. Ao dirigente associativo do século XXI é exigido um conjunto de competências ao nível da gestão estratégica, da contabilidade, da gestão de pessoas, do marketing, da organização de eventos e, claro está, outras mais relacionadas com as modalidades ou actividades nucleares que a sua colectividade promove.

Se for vivida com paixão e de forma desinteressada, mais do que difícil será, outrossim, entusiasmante e gratificante.

 

15 - Quer deixar aqui algumas palavras aos sócios e simpatizantes do clube?

Uma primeira palavra é de agradecimento aos associados do clube pelo facto de, apesar do contexto de crise, manterem a quotização regularizada e de nos apoiarem na dinâmica do clube. a sua postura foi determinante para o sucesso obtido. De há quase seis anos a esta parte, todos os dias, salvo raras excepções, entrei na sede-social do clube e ali atribui ao JDM, em média, duas a três horas do meu tempo. Muitas vezes senti a minha vida confundida com a vida do clube. Creio que dei o que pude e que terei dado um contributo singelo para a causa, mas forte e desinteressado da minha parte, razão pela qual me sinto honrado por este período e com o sentimento de dever cumprido.

Sem me delongar mais, gostava de apelar ao maior envolvimento do colectivo dos sócios e da população em geral na vida do clube, no apoio às equipas e na participação nas actividades. Vem aí um novo mandato e é importante que os sócios estejam em efectividade de funções, no maior número possível, valorizando esse momento e dando uma fôlego maior ao ciclo que aí se iniciará.

Quero também deixar uma palavra de agradecimento ao Jornal do Algarve pelo inestimável contributo para a divulgação da acção do JDM e de sensibilização dos seus leitores para a existência, a resistência e a persistência de colectividades em territórios marcados pelas problemáticas da interioridade e da periferia, bem como para a importância inegável que esse movimento associativo tem para as comunidades onde estão inseridos.

publicado por jdmonchiquense às 23:47
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2011

I Jornadas do Associativismo Desportivo

Para conhecimento dos nossos visitantes, apresentamos a comunicação do presidente do JDM, proferida esta manhã, nas "1.as Jornadas de Associativismo Desportivo - Inovação e empreendedorismo", promovidas pela Teia d'Impulsos - Associação Social, Cultural e Desportiva, estabelecida em Portimão.

 

 

Teia d’Impulsos | 1as Jornadas do Associativismo Desportivo
Museu de Portimão, 01-Dez-2011

 

Título
EXISTIR, AGIR E RESISTIR – O CASO DO MONCHIQUENSE


Autor
SANTOS CORREIA, Victor (Presidente do JDM)

 

RESUMO

O clube desportivo mais antigo de Monchique luta diariamente contra as problemáticas da interioridade e da periferia, os ‘caça-talentos’ e as situações daí decorrentes, quadro que torna ainda mais difícil a prestação do serviço profícuo e público que realiza.

 

ENQUADRAMENTO

O JDM (Juventude Desportiva Monchiquense), fundado em Novembro de 1963, assumiu-se desde então, em Monchique, como o “embaixador” da modalidade desportiva colectiva de maior mediatismo mundial, o futebol.

Nos anos 80 do século passado, foram incrementadas outras modalidades, as quais por opção de gestão ou outro motivo atendível foram sendo transferidas para colectividades da especialidade entretanto criadas na área do concelho. Veja-se o caso das modalidades motorizadas, karate, atletismo, ginástica rítmica e btt.

Pelo exposto, é correcto dizer-se que o JDM é a mãe e madrinha de todas as manifestações desportivas existentes no concelho de Monchique.

Infelizmente, na última década – e até 2008 – o clube dedicou-se exclusivamente à modalidade de futebol, mantendo a presença nos campeonatos distritais.

Sublinhe-se que, por vezes esta participação se fez em exclusivo – no nosso entender, erradamente –, no escalão de seniores, tendo sido alcançada a subida à primeira divisão distrital em 2004/2005.

Nos últimos três anos foi imprimida uma nova estratégia no clube, tendo em vista o aumento da oferta desportiva, em especial a públicos não servidos, o reforço da formação na modalidade de futebol e a maior integração de jovens e adultos do concelho nas modalidades.

 

ESTRATÉGIA

Esta estratégia tem como missão «Promover o Desporto em Monchique» e como visão estratégica «Dinamizar o desporto, a cultura e o recreio, no concelho de Monchique, intersócios e atletas, promovendo acções naquele âmbito e participando nos diversos campeonatos e provas das modalidades desportivas em que tenha representação».

A estratégia associativa baseia-se na criação de uma estrutura forte, dinâmica e eficiente, num quadro harmonioso de alocação e optimização dos recursos, no intuito de garantir:

  • a promoção e o desenvolvimento do desporto e da actividade física da população concelhia, em especial, as crianças e adolescentes;
  • o aumento da dinâmica associativa, quer no que concerne à manutenção de equipas nos campeonatos distritais de futebol, quer à realização de outras actividades desportivas, recreativas e culturais;
  • o aprofundamento da relação com os sócios, atletas, colaboradores e comunidade em geral.

 

DINÂMICA ACTUAL

De Outubro de 2008 até à presente data verificou-se um aumento significativo das actividades desenvolvidas, nomeadamente em cinco domínios:

  • reorganização interna;
  • aumento da oferta desportiva;
  • aumento da dinâmica associativa;
  • melhoria da oferta desportiva na modalidade de futebol;
  • melhoria de instalações, equipamentos e infra-estruturas.

Actualmente, o clube tem em curso os seguintes programas:

  • Reorganização Interna;
  • Sócios;
  • Revitalizar a Sede Social;
  • Beneficiação do Parque Desportivo;
  • Desporto para Todos;
  • Brincando e Aprendendo;
  • Verão JDM.

Na época desportiva 2011/2012, na modalidade de futebol o JDM tem em funcionamento equipas em todos os escalões de formação, excepto de juniores, dada a escassez de elementos com 17 e 18 anos de idade, por razões de ingresso no ensino superior e distanciamento do concelho. Na formação o JDM envolve 118 (cento e dezoito) jogadores.

Por seu turno, no futebol sénior e militando na segunda divisão distrital, o clube agrega 26 atletas no seu plantel.

Incluindo colaboradores técnicos e outros, dirigentes e os jogadores referidos, o JDM envolve hoje duas centenas de cidadãos na sua dinâmica da modalidade desportiva futebol.

Trata-se de um número considerável dado o território servido, cuja população residente se fixa abaixo dos 6.000 habitantes e a elevada percentagem de população estudantil envolvida na dinâmica do JDM.

Neste quadro, a dinâmica actual do clube desportivo mais antigo do concelho de Monchique envolve, directamente, cerca de 250 pessoas.

 

 

ANÁLISE DO CONTEXTO

Numa análise de situação, ao nível dos escalões de formação, efectuada recentemente, utilizando a matriz SWOT (Strenghts, Weaknesses, Opportunities, Threats), no intuito de melhorar a gestão estratégica das acções inerentes à concretização de determinados objectivos, concluímos ter como:

  • FORÇAS (Strenghts) – Conjunto de pessoas que, abnegadamente, trabalham em prol do clube; Organização interna e política desportiva adoptada (i.e., aposta forte na formação); Qualidade e diversidade dos recursos materiais existentes (e.g., bolas, cones, coletes, barreiras, balizas, arcos, etc.); Proximidade dos treinadores à matéria-prima (i.e., miúdos), que facilita o processo de captação; Complementaridade entre os conteúdos transmitidos nos treinos e as habilidades motoras desenvolvidas em regime curricular ou extracurricular; Sensibilidade e colaboração por parte da direcção relativamente a todas as problemáticas inerentes à formação.
  • FRAQUEZAS (Weaknesses) – Poucos recursos humanos especializados (e.g., treinadores adjuntos, delegados e fisioterapeutas); Apenas um campo de futebol é escasso para corresponder na íntegra às necessidades formativas de todos os escalões etários; Perspectivas de alguns encarregados de educação mais preocupados com o sucesso desportivo dos seus educandos, do que propriamente com a harmonia do seu desenvolvimento pessoal e cívico; Inexistência de acompanhamento médico ou de massagistas nos jogos dos escalões de formação; atrasos nos recebimentos de verbas contratualizadas.
  • OPORTUNIDADES (Opportunities) – Captação de jovens jogadores de freguesias distantes da sede de concelho, a quem por vezes é necessário fornecer transporte; Manutenção de contacto com os encarregados de educação mais próximos na tentativa de integrar e enriquecer a estrutura; Desenvolvimento de seminários, jornadas técnicas ou colóquios sobre as problemáticas relacionadas com o treino e a formação de jovens jogadores; Estabelecimento de parcerias e protocolos com entidades locais, no intuito de apoiar o enorme serviço público prestado pelo clube.
  • AMEAÇAS (Threats) – Aliciamento dos melhores jogadores por parte de clubes circundantes e com outros argumentos no que à competição diz respeito; Regulamentação do processo de transferências de jovens jogadores que beneficia claramente os clubes de maior dimensão; Falta de suporte proporcionado por alguns encarregados de educação no que concerne com a gestão dos compromissos dos seus educandos com o clube; Diminuição da população, sobretudo nas faixas etárias mais jovens; Cedência de instalações desportivas públicas (e.g., pavilhão gimnodesportivo) limitada quando comparada com aquela proporcionada a outros clubes/entidades desportivas do concelho.

PROBLEMA

Aos 48 anos de existência o JDM presta um serviço público no domínio da formação desportiva e da ocupação salutar dos tempos livres das crianças e jovens do concelho, batendo-se quotidianamente com as problemáticas da interioridade e da periferia, tendo subjacente a diminuição e envelhecimento da população que, conjugada com o aliciamento dos melhores jogadores por parte de clubes circundantes e com outros argumentos no que à competição diz respeito, pode fazer ruir o projecto do Monchiquense.

 

PROPOSTA

O novo mundo em que vivemos obriga a que, para a sobrevivência, sejam construídas pontes em vez de muros, razão pela qual é exigido estabelecer parcerias estreitas, sinergias e um ambiente profícuo e harmonioso de entreajuda. Assim deve ser na vida pessoal de cada um, na vida das empresas e também na vida dos demais agentes do associativismo desportivo.

É portanto, em nossa opinião, imperioso, no plano institucional os clubes desportivos começarem a dar passos nesse caminho, onde será preciso fazer cedências e encontrar interesses comuns.

 

Concluindo, permito-me citar Fernando Pessoa:

"Para vencer – material ou imaterialmente – três coisas definíveis são precisas: saber trabalhar, aproveitar oportunidades, e criar relações. O resto pertence ao elemento indefinível, mas real, a que, à falta de melhor nome, se chama sorte." Fim de citação.

 

Muito obrigado.

 

 

publicado por jdmonchiquense às 13:31
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