Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

Presidente em entrevista (Jornal Monchique)

O presidente do JDM, Victor Santos Correia, foi entrevistado pelo Jornal de Monchique, na edição de Janeiro. A seguir transcreve-se toda a entrevista:

 

Há quantos anos é que existe o clube?

VS: O Monchiquense faz este ano 49 anos de existência. Foi fundado a 14 de Novembro de 1963 e os estatutos foram publicados a 28 desse mesmo mês. Terá havido uma reunião com 14 cidadãos monchiquenses nos últimos dias de Setembro daquele ano, onde tomaram essa decisão de fundar o clube. Determinaram os sócios, na altura, que a data da fundação não fosse nem essa de setembro nem a de 28, mas sim a data do despacho, o 14 de novembro.

 

E quem ficou designado para ser o primeiro dirigente?

VS: O primeiro dirigente do clube foi o sr. Artur Caçorinho, que fazia parte desse grupo dos 14. Na primeira ata da Assembleia Geral consta que ele é o dirigente, mas não sei qual foi o processo de escolha porque, na altura, creio que só fizeram com base nos 14.

 

Dr. Victor Santos Correia, Presidente do JDM 

 

E quais foram os objetivos que estiveram na base aquando da sua criação?

VS: Aquilo que consta na primeira ata tinha a ver com a dinamização sociocultural e desportiva do concelho de Monchique. O clube, durante algum tempo, dedicou-se essencialmente ao futebol. Mas acabou por introduzir, em Monchique, também todas as modalidades desportivas que foram acontecendo por cá e algumas delas que foram ganhando notoriedade e algum peso, acabaram por dar lugar coletividades somente dedicadas a essas especialidades. Falo, por exemplo, do BTT e do desporto motorizado. O Monchiquense ainda fez perícias automóveis com os mini morris. Após isso surgiu o Monchique Montanha Clube. O karaté também foi integrado numa academia própria que veio desenvolver e aprofundar essa modalidade.

 

E esses objetivos ainda se mantêm ou com o passar do tempo têm sido alterados?

VS: Recentemente fizemos uma alteração estatutária. Não obstante, o objeto social mantivemo-lo. Entretanto, definimos uma estratégia associativa para o clube, assente no diagnóstico da colectividade e do território onde estamos inseridos, tendo elaborado linhas de orientação estratégica que respondem e respeitam esse objeto social. Portanto, definimos a visão e a missão, assim como os objetivos estratégicos para o clube. Entre cada um deles, estabelecemos programas que estamos a desenvolver com várias ações que não se esgotam só ao futebol.

A visão estratégica do monchiquense é «desde 1963 a promover o desporto em Monchique», enquanto que a missão é «mais JDM, mais juventude, mais desporto, mais monchiquense». Os objetivos passam por promover a reorganização interna do clube, através da atualização estatutária, do estabelecimento de regras de funcionamento e da modernização da estrutura organizacional; por promover a melhoria de instalações, de equipamentos e de infra-estruturas, através de ações de reparação, de beneficiação e valorização de equipamentos e espaços; por diligenciar o estabelecimento de parcerias para a comparticipação dos custos da atividade e aplicar e desenvolver outros recursos que tenham em vista ao passivo acumulado, assim como garantir uma condição estável a nível económico e financeiro para dar resposta às atividades quotidianas e futuras; por consolidar a aposta na formação desportiva e na modalidade de futebol, isto nas vertentes de futebol 3x3 e 5x5, para petizes e traquinas, e também no futebol de 7 e de 11, bem como a criação de um centro de formação e desenvolvimento de crianças, de jovens e de adultos, e por último o aumento a oferta desportiva através da implementação de novas modalidades coletivas e individuais, de modo a servir novos públicos não abrangidos, bem como melhorar a oferta já existente.

Aqui sublinhava só um aspecto: nós não encontramos nos outros clubes do concelho um motivo para competir, mas sim para aumentar a oferta desportiva e contribuir para a sua diversidade. Aliás, o programa que desenvolvemos, "Desporto para Todos" e o projeto "Monchique Passo-a-Passo", que preconiza as caminhadas, foram ao encontro de públicos que não estavam abrangidos. O “JDM Fitness Class” tem atualmente quase cinco dezenas de formandas, as quais careciam de oferta desportiva.

 

Qual a modalidade que mais se destaca do vosso clube e que outras atividades relevantes têm desenvolvido ao longo destes anos?

VS: O futebol foi sempre a atividade que se manteve em todos os anos desportivos no clube. Durante algum tempo houve uma maior atenção para o futebol sénior. Mas o que nós temos vindo a fazer, ao longo destes quase quatro anos, tem sido uma melhoria da oferta desportiva no domínio do futebol, e temos procurado consolidar o projeto de forma a que nos próximos anos seja possível fazer equipas, no escalão sénior e júnior, com jovens que sejam produto da formação desportiva que nós temos desenvolvido. Atualmente, isso já é possível fazer com jovens da terra. Aliás, na equipa sénior com 24 elementos, temos apenas cinco que não são de Monchique. Portanto, há um novo paradigma no clube, no que concerne ao futebol, e por isso, temos tido grande atenção neste domínio.

Para além disso, também temos desenvolvido outras ações. O projeto "Desporto para Todos" foi à procura de públicos não abrangidos, no âmbito do fitness e das caminhadas. Recordo a subida à Picota, que foi feita em Maio do ano passado, e a caminhada que fizemos no âmbito do Monchique Passo-a-Passo, no Dia Mundial do Coração.  Temos feito ainda algumas conferências sempre relacionadas com desporto e com saúde. A primeira foi sobre obesidade infantil, a segunda sobre desporto e saúde, e a última, no ano passado, sobre estilos de vida saudáveis. É uma área que não tinha sido ainda explorada, nem no Monchiquense, nem noutro clube. Temos também um outro projeto que se chama "Brincando e Aprendendo", cujo intuito é procurar fazer um diagnóstico a fim de sabermos se há público interessado e há algumas competências no âmbito do voleibol, do basquetebol e do andebol.

Contudo, a situação financeira não tem permitido que conseguíssemos ainda implementar este projeto. Fizemos apenas uma primeira edição no âmbito do andebol, em que trouxemos a Monchique um jogo oficial do escalão de juvenis de andebol, um protocolo com a Associação de Andebol do Algarve. No entanto, foi apenas uma pedrada no charco, porque ainda não conseguimos fazer mais nenhuma ação neste ramo. Tudo isto tem custos e de facto ainda não o conseguimos implementar.

Ao longo deste período, temos feito algum trabalho para  verificar como é que conseguimos encontrar outras parcerias, outras fontes de financiamento, para fazer face ao passivo que tínhamos e a outras atividades. Temos de procurar, nas atividades novas, a forma de se pagarem a si próprias. Já conseguimos reduzir o passivo para cerca de metade, e hoje se arrecadássemos toda a receita pendente conseguiríamos liquidar todo o passivo acumulado, pois já está controlado. Tem sido feito um esforço de controlo de custos, de contenção de despesa e, desta forma, sem arrecadar toda aquela receita – que já assume um valor considerável – não conseguimos avançar com algumas atividades que vão ao encontro daquilo que nós definimos como estratégia para o Monchiquense.

 

Carlos Penteado (Iniciados Sub-15), lutando pela redondinha.

 

O clube tem tido apoios? Que entidades vos têm apoiado?

VS: Temos um contrato-programa de desenvolvimento desportivo celebrado com o Município de Monchique para a época desportiva 2010-2011, prorrogável até 31 de dezembro de 2011. Contudo, desse contrato-programa estão ainda por receber cinco mensalidades de três mil e 500 euros cada. Solicitámos uma prorrogação até ao mês de junho deste ano, quando termina a época desportiva, por forma a fazer face a alguns custos que nos foram surgindo pelo não pagamento atempado das taxas junto da Associação de Futebol do Algarve. Atualmente temos uma dívida a esta entidade de cerca de cinco mil euros, o que compromete um pouco a nossa dinâmica, também, no âmbito do futebol.

Temos recebido subsídios distribuídos pelas freguesias de Monchique e de Alferce e receita proveniente de algumas atividades, de eventos socioculturais no concelho, de exploração de bares, da Feira dos Enchidos, da Feira do Presunto, do bar das piscinas, entre outras.

O futebol é a atividade talvez mais cara. Posso só referir que um jogo sénior custa no mínimo 300 euros por cada jogo que se faz em casa, enquanto equipa visitada. Só em lanches de um sumo e uma sandes, que damos a cada elemento da equipa, anda à volta dos 100 euros, por fim-de-semana. São custos elevados que o clube tem e que de facto a nossa dinâmica não consegue arrecadar receita, em especial quando se vive num contexto de crise.

Outro apoio que tem sido muito importante e que aumentou substancialmente foi a cobrança da quotização. Houve sócios que não pagavam quotas havia algum tempo e fizeram-no. Para nós, dirigentes, acaba por ser alguma perceção de concordância com a aposta que tem sido feita e que tem sido desenvolvida.

 

E quantos atletas é que o clube tem?

VS: Atualmente, no âmbito do futebol temos 93 atletas federados. Porém, a eles devemos juntar alguns que ainda não estão federados, nomeadamente nos escalões de benjamins A e B, onde faltam inscrever alguns atletas, bem como no escalão de iniciados e no programa de iniciação do futebol. Portanto, dará um universo de 133 atletas. Somando a estes, temos 35 veteranos, 30 adultos, que estão envolvidos enquanto técnicos e delegados, um médico e um fisioterapeuta. São 199 pessoas envolvidas diretamente com o futebol.

No âmbito do fitness, temos um técnico principal, um técnico assistente e depois cerca de cinco dezenas de formandas. No total, o Monchiquense tem atualmente cerca de 250 pessoas envolvidas diretamente com as atividades permanentes. Numa conferência ou numa caminhada não conseguimos contabilizar as pessoas que participam, porque aí é de portas abertas.

Há um aspeto que gostava de referenciar que é um caso inédito no Algarve. Atualmente, e no monchiquense, é um caso novo e decorre no novo paradigma do clube. Todos os atletas da equipa sénior não auferem qualquer retribuição por jogar no Monchiquense nem por treinar. Há uma entrega abnegada, desinteressada ao clube e onde as cores do clube são honradas. A par deles, também os técnicos não auferem qualquer renumeração por estar connosco. Só temos duas pessoas renumeradas no clube e são dois contratos de prestações de serviços. Um é com o fisioterapeuta e outro é com uma contabilista que nos está a dar apoio para a adequação ao sistema de normalização contabilística. Temos feito um esforço para implementar contabilidade organizada no monchiquense, que até então não existia. Nós quando entrámos no clube, criámos centros de custo e já estamos a adequar toda a documentação contabilística ao sistema de normalização. Para além destes temos também um contrato emprego-inserção com uma pessoa que é beneficiária do rendimento social de inserção que tem estado a colaborar connosco, na qual o JDM tem uma comparticipação financeira reduzida. Essa pessoa trata das tarefas da lavandaria, da limpeza e do tratamento do equipamento. 

 

De todos estes atletas, qual é o que se destaca mais ou que tem dado destaque ao clube?

VS: Essa pergunta é um pouco complicada de responder. Em especial para um membro da direção que costuma acompanhar, tanto quanto possível, todas as equipas e dar-lhes atenção. Talvez a equipa que dê menos atenção seja a equipa dos veteranos, porque têm uma autonomia, apesar de estarem ligados ao clube, como é óbvio, e de ali se agrupar as antigas glórias do Monchiquense. Tenho acompanhado todas as equipas, tanto quanto possível. Aos fins-de-semana divido-me quase sempre um pouco por todos os jogos, porque não consigo assistir a todos, inclusive quando são à mesma hora. Desta forma apoio os meus colegas de direção para a área sénior, Rui Inácio, e, para os escalões juniores, Paulo Alves.

Não obstante, eu personalizava se calhar no capitão da equipa sénior, o Bruno Salvador, por ser uma pessoa que tem um amor ímpar ao clube e que contagia todo o resto da equipa. Tal é essa dedicação que nenhum deles exigiu qualquer retribuição pela sua prestação na equipa sénior. Depois também referenciava o Carlos Penteado, que joga na equipa de iniciados, por ser o jogador que tem sido convocado para a seleção distrital de sub-13, derivado das suas competências e da sua qualidade como jogador. Penso que personalizava nesses dois, mas qualquer um deles que veste a camisola do monchiquense merecia referência.

 

Relativamente à prática desportiva, como é que o clube gere os espaços com outras colectividades e actividades?

VS: O monchiquense tem uma ocupação total ou quase total do campo de jogos. Às vezes até é difícil de conseguir conciliar com as várias equipas. À quinta-feira, por exemplo, é um dia que temos cinco equipas naquele espaço. Penso que se fez uma gestão muito cuidadosa e com manifesto respeito uns pelos outros. Há uma entreajuda exemplar, senão tornar-se-ia um pouco complicado, porque essa gestão foi mesmo feita com pinças.

Todas as entidades e até grupos informais que nos têm solicitado a disponibilidade do campo, nós, de acordo com a nossa ocupação e desde que não interfira com os jogos oficiais, temos cedido. Até já o fizemos também a outros clubes que, não tendo campo para jogar, solicitaram o nosso.

Temos procurado que o campo não seja utilizado nunca depois das 17:30 horas, em especial agora neste período, pois há a necessidade de ligar a iluminação e torna-se muito dispendioso todos os dias em que temos de ligar por causa dos treinos. O consumo de energia é elevadíssimo e, depois de termos feito uma reparação nas torres, condensadores, ignitores, lâmpadas e projetores, na ordem de quatro mil euros, a fatura da EDP aumentou significativamente. Esta já passa dos mil euros e também estamos assustados com o aumento que aí vem, o que é que poderá ainda ocorrer. Portanto, estamos a tentar fazer com que haja poucas ocupações depois das 17:30 horas. Só se não o conseguirmos impedir. Até com as nossas equipas temos feito o desencontro de jogos para que isso não ocorra. Se for uma vez por acaso também não nos compromete muito.

O parque desportivo do Monchiquense foi um território que foi oferecido pela família Mascarenhas ao Monchiquense, há muitos anos. Mais recentemente, em 2005, foi celebrado um contrato de promessa de compra e venda do Município de Monchique de todo um prédio, onde também se integrava o campo de jogos e zona envolvente. O Município pretendia fazer o centro escolar e, destacar e transferir a parcela contendo o campo e zona envolvente a favor do Monchiquense e outra a favor da paróquia. O JDM manifestou concordância. Até hoje, não foi feita a transferência para nós. Não obstante, há também ainda um documento que carece da validação em Assembleia Geral do Monchiquense. Trata-se de uma cedência de utilização ao Município de Monchique, o que nos "obriga" a permitir que outras entidades e o próprio Município, sempre que necessite e desde que não interfira com a nossa dinâmica, possa utilizar aquele espaço. Nós estamos a elaborar um regulamento que preconiza isso mesmo, mas continuamos à espera que o Município transfira, de acordo com o contrato de promessa, para nossa propriedade esse espaço para melhor validarmos e até  corrigirmos uma lacuna que está nessa declaração de cedência ao Município.

 

Infantis (Sub-13) - Campeões do Torneio Complementar da AF Algarve - 2010-2011 

 

Tendo em conta a atual conjuntura económica mundial, que perspetivas futuras é que o clube tem?

VS: Há alguns projetos que nós estamos a inscrever no plano de atividades, mas com algum cuidado, porque infelizmente parece-nos que, à primeira vista, com a atual conjuntura não são de fáceis de executar. Mas, com a gestão que tem vindo a ser feita e se conseguirmos arrecadar toda a receita que está pendente e também a prorrogação do contrato do programa de desenvolvimento desportivo, que solicitamos, cremos que será possível executar os projetos que delineámos.

Faço destaque essencialmente ao programa "Sócios", que tem a ver com a emissão dos cartões para aqueles que ainda não têm o novo cartão e com a cobrança da quotização, que tem sido um importante contributo para a nossa dinâmica. Outro objetivo é conseguirmos executar o programa de reorganização interna, que tem a ver com o enquadramento contabilístico e com a criação do regulamento, que há pouco falava e o revitalizar a sede social. Penso que as ações que estão previstas com a ajuda de sócios, e com algum apoio financeiro, conseguiremos também valorizar os espaços e otimizá-los para podermos abrir a sede aos sócios e colocá-la funcionamento. É também possível prosseguir com o programa de beneficiação do parque desportivo. Refiro que aqui fizemos, para além do arranjo nos balneários e no edifício de apoio à manutenção do campo, a beneficiação da iluminação, a criação de galerias para as balizas, a reparação das patologias nos sistemas de rega, o desmatamento, entre outros, foi um investimento de cerca de oito mil euros. O que ainda temos para fazer são questões de menor custo.

Penso que no programa "Desporto para Todos" também conseguiremos prosseguir com o “JDM Fitness Class” e o “Monchique Passo-a-Passo”, porque são projetos que se pagam a si próprios. Para além destes, o programa "Brincando e Aprendendo" no âmbito do basquetebol, andebol, voleibol que, com entreajuda das associações regionais e alguns apoios pontuais, penso que também será possível executar. O programa Verão JDM, para este ano, prevendo os bailes do clube da bola e os torneios de verão também são atividades que acabam por se pagar a si mesmas e que serão exequíveis.

Quanto ao futebol, quer na iniciação ao futebol, para petizes e traquinas, quer na manutenção das equipas que temos atualmente e em todos os escalões de juniores, dependemos muito do contrato de programa desportivo. Se o tivermos prorrogado e se formos arrecadar toda a receita que está pendente, eu acho que conseguiremos executar o nosso plano de atividades. Só a título de curiosidade, o nosso orçamento da receita previsto é de 87.265 euros, em que 42 mil euros é o valor do contrato-programa desenvolvimento desportivo. Portanto, o apoio do Município acaba por ser inferior a 50 por cento da receita que nós estamos a estimar. Atualmente já não dependemos só da subsidio-dependência, vivemos também de atividades próprias, de outros parceiros, de outros apoios, o que prova que já houve aqui algum trabalho nesse sentido e que estamos a ir à procura de outras fontes de financiamento. Sem descurar, no entanto, que o movimento associativo acaba por ser um parceiro importantíssimo da administração local, regional e central, no âmbito da ocupação dos tempos livres da população. Pelo que deverá haver, da parte da administração, um apoio financeiro ao desenvolvimento das actividades.

 

Enquanto dirigente desportivo, que balanço é que faz do clube?

VS: Fazer esse balanço é sempre difícil. Por duas razões: Primeiro, não partimos do zero e segundo porque acho que não é muito sensato sermos os próprios a avaliar a nossa atividade. Quem está do lado de fora é que o deve fazer esse balanço. Mas neste período, uma vez que conseguimos controlar o passivo, atendendo a que hoje se fosse arrecadada toda a receita que está pendente seria possível liquidar todo o passivo, e tendo presente que conseguimos aumentar, melhorar e diversificar a oferta desportiva do clube, eu penso que o balanço é positivo. Mas, reitero, quem está de fora e mais atento é que deve fazer essa avaliação. Não é muito sensato sermos nós a avaliar. 

 

Há quanto tempo é que dirige o clube?

VS: Desde 2008. Eu sou sócio desde 1993. Em 2007, fui convidado para integrar uma lista para a direção do clube. Integrei-me nessa lista e nessa direção. Aliás comecei por uma comissão administrativa, em 2007. Depois houve lugar a eleições e integrei a direção subsequente e esta funcionou durante sete, oito meses. A seguir dirigi uma comissão administrativa e a direcção que se lhe seguiu. Tomei posse, como presidente, a 30 de setembro de 2008 e em segundo mandato a 27 de junho de 2010. Termino o meu mandato, no próximo dia 27 de junho deste ano.

                      

Márcio Duarte (Mátu) e João Liberal (Libras) - Seniores 2011-2012

 

O que o levou a ser dirigente de uma associação desportiva?

VS: Eu desde muito cedo que tenho estado ligado ao movimento associativo. Desde os meus 14 anos.

Por ordem cronológica, fiz parte dos órgãos sociais da DanciArte, e do Clube Desportivo e Recreativo da Pedra Mourinha, fiz parte da Associação de Estudantes da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, depois fui presidente da Casa do Povo de Alferce, presidente da Associação Académica do ISMAT (na altura ISMAG/ISHT do Algarve), secretário da Academia de Karaté de Monchique, secretário da Associação dos Bombeiros Voluntários de Monchique. A seguir fui fundador da Associação de Antigos Alunos da Universidade Lusófona Algarve (AAAULA), que representa também os diplomados pelo ISMAT, à qual ainda presido. Depois ingressei nesta direção a convite do Monchiquense.

No âmbito desportivo, tinha tido umas luzes. Fui apenas vogal da direcção do CDR Pedra Mourinha. Tinha um diminuto conhecimento sobre o movimento associativo desportivo, mas acho que aprendi muito neste período e creio que acabou por contribuir para mudar um bocadinho o tal paradigma que há pouco falávamos. Interpretei o funcionamento do movimento associativo desportivo e fez-me alguma confusão o facto de em futebol amador haver salários, haver retribuições a jogadores. Isto um pouco por todo o Algarve. Em especial quando a conjuntura económica está complicada. Recordo que tomei posse em finais de 2008, já a crise económica de 2008 tinha estalado, e achava estranho como é que ainda havia condições para pagar, e até de uma forma menos correta, a jogadores, a treinadores, com condições económicas já complicadas. Estabeleci um compromisso com os meus colaboradores e os meus jogadores de nos dedicarmos de uma forma abnegada ao projeto. Fomos únicos em 2008, em 2009, em 2010, em 2011, e agora começam alguns clubes a pensar em fazer o mesmo. Hoje, se todos os outros clubes já apostassem do mesmo modo que nós, estavam de alguma forma a valorizar o futebol amador. Acho que esses pagamentos não são muito corretos, em especial quando não há condições, porque os passivos ficam para novas direções que apareçam. Se adoptassem o modelo de gestão que o JDM tem isso inibi-los-ia de fazer negócios menos nobres. Se assim fosse, o Monchiquense talvez não tivesse apanhado campos inclinados e hoje talvez estivesse numa melhor posição. 

Contámos sempre com os nossos colaboradores e os nossos técnicos, porque os titulares de cada equipa técnica são indivíduos com formação académica na área e somos talvez o único clube que garantimos isso. Também temos feito parcerias com eles próprios em trabalhos académicos, quer no âmbito de mestrados, quer trabalhos de licenciatura para alguma disciplina, e alguns deles já foram publicados. Não vi também os grandes clubes fazerem isso. Andam com outras apostas.

 

Tendo em conta que é dirigente de uma associação de cariz desportivo, qual é o seu desporto favorito?

VS: Eu no outro dia numa brincadeira dizia que era o monchiquense que mais desporto fazia e depois corrigi para promovia. Estar à frente de uma instituição, e por isso mesmo, na ausência de toda a direção, sou eu que represento o clube e acabo por ser o individuo que envolve 250 pessoas diretamente com a dinâmica desportiva. Mas o meu desporto não é esse. O meu desporto preferido é a leitura. Um dia, quando tiver mais tempo, hei-de dedicar-me à prática desportiva.

 

E qual é a modalidade escolhida?

VS: Basquetebol, talvez pela estatura física e porque foi uma modalidade que sempre gostei. O futebol gosto de ver. Aliás, eu com o desporto é como com a música. Gosto de tudo um pouco, mas preferia o basquetebol.  

 

Aproveitava para agradecer aos indivíduos que estão envolvidos diretamente e indiretamente com o Monchiquense, colegas dirigentes, técnicos, colaboradores, jogadores, sócios e adeptos. Gostava de agradecer a sua disponibilidade e a sua entrega ao clube e o muito que têm contribuído para o manter e que está quase a fazer 50 anos. Queria também agradecer a todos os sócios que têm também com a quota mostrado apoio à direção para prosseguirmos com esta dinâmica e todos os dias valorizar o clube que aqueles magníficos 14 entenderam criar. Uma palavra de agradecimento para todos eles. Uma palavra muito especial para aqueles que lidam com o facto de os seus pares noutros clubes serem renumerados para fazerem pior do que eles fazem. Um obrigado também ao Jornal de Monchique por nos disponibilizar e nos acolher com uma rubrica.

 

 

publicado por jdmonchiquense às 01:39
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